• ARMANDINHO SÁ COORDENADOR DA AMBFM À GN – “LUTAMOS PELO DIREITO À HABITAÇÃO”

    31 octobre 2012 | Cultura | Admin
  • Depois de concluir o curso de engenharia civil em Cuba, em 2000, de regresso à Guiné-Bissau transitou por Lisboa onde tencionava passar uns tempos, mas acabou por ficar até hoje. Não exerce a sua profissão, mas está envolvido no ativismo social, da habitação e da imigração há mais de oito anos, em Portugal. Adquiriu conhecimento na área do empreendedorismo, passando a ensinar os imigrantes a criar e a gerir microempresa. Chama-se Armandinho Sá, dirige atualmente a Associação de Moradores do Bairro Fim do Mundo, em Cascais (arredores de Lisboa), que se tornou conhecida na luta pelo direito à habitação aos desalojados de origem guineense e só, daquela localidade.

    POR LAY KOROBO, EM LISBOA

    GAZETA DE NOTÍCIAS (GN) – Quando foi criada a Associação de Moradores do Bairro Fim do Mundo (AMBFM), que preside?

    ARMANDINHO SÁ (AS) – A AMBFM foi criada em agosto de 2005.

    – Quais são as principais instituições que estão aliadas a esta organização? 

    AS – Envolve os moradores que dela têm o seu benefício, mas tem contactos institucionais com a Junta de Freguesia do Estoril, Câmara Municipal de Cascais e a Associação Solidariedade Imigrante, através do seu gabinete de habitação.

    – Acha que na Constituição Portuguesa consta o direito à habitação para todos?

    AS – É verdade, mas a lei não é aplicada para que todos tenham esta oportunidade que a Constituição estabelece através do seu Artigo 65º.

    – Tirar as pessoas das barracas para habitação social é, pelos vistos, um processo bastante complicado, exige muita burocracia. Como conseguem ajudar os candidatos a resolverem esses problemas?

    AS – Foi um processo muito difícil, que me levou a criar em 2005 esta associação, que lutou pelo direito à habitação das pessoas que moravam há anos nas barracas. Havia um processo antigo e lento, e para nós pouco sério pela parte da Câmara de Cascais, que estava em espera desde 1993. Através da luta e com a Associação Solidariedade Imigrante a Câmara aceitou o novo projeto, recorrendo ao PROHABITA, um programa apoiado pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e deu algumas alternativas habitacionais às situações mais frágeis.

    – Conseguiram atingir os objetivos de conseguir casa para as pessoas?

    AS – Conseguimos alguns objetivos: realojar muitas famílias, principalmente as pessoas doentes, mães solteiras e outros casos isolados. Mas falta-nos ainda algumas pessoas mesmo assim, valeu muita pena esta luta pelo direito à habitação.

    – Entretanto, sabemos que há os que ficaram de fora, porquê?

    AS – Sim, eram os casos com que a Câmara menos se preocupou, e ignorou depois da luta pelo o direito à habitação.

    – Diz-se que essas pessoas que ficaram de fora, por exemplo, moravam nas barracas que faziam parte das pessoas realojadas e, obviamente, ficaram desalojadas. Como conseguem, em alternativa, um teto, sobretudo para os desempregados?   

    AS – Alguns, por não conseguirem provar que moravam nas barracas com um familiar que já foi realojado/a, e os desempregados, foram colocados nas pensões por algum tempo. Outros estão na luta, ainda a espera do novo programa de habitação da Câmara de Cascais.

    – Houve um protesto da Associação de Moradores do Bairro Fim do Mundo contra a Câmara de Cascais. Em causa estava um novo Centro Social. O que é que motivou a polémica que fez correr muita tinta?

    AS – O novo Centro Social da ‘Nossa Senhora da Boa Nova’ foi construída nos antigos terrenos, onde moravam as pessoas que estavam nas barracas e recebeu o apoio financeiros do Estado português através do Instituto de Habitação, Junta da Freguesias do Estoril e da Câmara de Cascais. O terreno foi dado a este novo Centro. Ao lado fica o bairro social. Todos estes apoios foram para a entidade privada que agora gere o Centro, mas o bairro em si pouco ou nada beneficiou. A  polémica resultou da minha entrevista ao jornal ‘Sol’, onde critiquei o Centro Social ‘Nossa Senhora da Boa Nova’ e também o presidente da Câmara de Cascais por o centro ser para servir a elite de Cascais.

    – Tiveram apoio neste protesto?

    AS – Sim, tanto das pessoas do município como, principalmente, do Partido Bloco Esquerda que chamou a então ministra da Segurança Social. No inquérito feito ao centro houve um debate entre mim, o presidente da Câmara de Cascais e a diretora do Centro da ‘Nossa Senhora Boa Nova’, na ‘RDP-Antena 1’. O ‘Jornal da Região de Cascais’ e ‘Jornal de Cascais’ também falaram muito sobre as minhas críticas e as do Bloco de Esquerda sobre o não ou pouco uso do centro pelos moradores. Em resumo, houve apoio do Bloco de Esquerda, núcleo de Cascais e Grupo Parlamentar, e dos órgãos de informação que já referi.

    – E que resultado surtiu o vosso protesto junto às autoridades?

    AS – Muita gente ficou a conhecer melhor o mau funcionamento do Centro. A Seguração Social realizou uma inspeção e a antiga direção foi afastada, o que melhorou um pouco o relacionamento do Centro com o Bairro Fim do Mundo.

     – Sendo a maioria dos envolvidos cidadãos guineenses, chegaram a contatar a Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa para algum apoio?

    AS – A nossa Embaixada foi contatada quando do problema das demolições das barracas, e de igual modo as de Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que nada fizeram. Estas Embaixadas, foram contatadas através de carta. Elas nunca entraram em contato com a Câmara nem responderam aos moradores.

     – Que apelo gostaria de lançar às autoridades governamentais do país?

    AS – O pedido podia ser o de maior abertura e contributo para a criação de uma rede ou plataforma de associações guineenses na diáspora, e de maior articulação entre as nossas Embaixadas e o Governo na Guiné-Bissau.

    – Atualmente está também envolvido num projeto de empreendedorismo. Pode falar desta ação em curso?

    AS – Sim, e acho que todos/as devem pensar em ser empreendedores/as porque temos muitas capacidades para o ser. O projeto resultou de um curso feito pela DNA-Cascais, agência de empreendedorismo da Câmara Municipal de Cascais, para dar ferramentas e conhecimentos aos nossos moradores nos bairros sociais e excluídos do concelho de Cascais. Depois de terminar o curso as melhores ideias foram apoiadas para criação de negócio próprio, através de uma linha de crédito. Gostaria de destacar o meu apoio à criação do Gabinete de empreendedorismo e empresas, com o fim de promover esta cultura e o novo paradigma nas pessoas que tenham visão e ambição para os novos tempos da crise e das incertezas no mundo laboral. Também damos apoios às pessoas desempregadas que querem receber o subsídio de desemprego de uma vez, através do plano de projeto de negócio entregue no centro de emprego da sua área de residência. Neste momento temos cinco pessoas que, com ajuda de  um amigo técnico de contas, elaboraram alguns projetos, que foram aceites, virados para a exportação.

    – Quem pode concorrer ao financiamento e quais são as condições?

    AS – É para qualquer pessoa desde que a sua residência seja nos bairros sociais de Cascais, depois de terminar o curso de empreendedorismo de 150 horas dado pela agência DNA-Cascais, e o seu projeto tenha uma ideia adequada a um bom negócio. Gostaria de dizer que 37 pessoas já receberam o curso dado pela agência da Câmara de Cascais (18 Mulheres e 19 Homens).

  • O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, apelou quarta-feira aos políticos guineenses para aplicarem o Acordo de Bissau para acabar com o impasse político que o país vive, noticiou a Lusa.

    Read more

    Ensino Público : Aberto novo ano lectivo 2015-2016

    O ano lectivo 2015/2016 sob o lema "De mãos dadas para uma Educação Inclusiva" foi aberto oficialmente esta segunda-feira (11 de outubro)  em Bissau, numa cerimónia presidida pela ministra da Educação Nacional, Maria Odete Costa Semedo. Na ocasião, a ministra explicou que o acto se realizou graças a coragem do seu pelouro, uma vez que o país se encontra mergulhado há dois meses numa [...]

    Read more

    AOS HOMENS DA ARTE?E CULTURA: OS ETERNOS PRESENTES SEMPRE ESQUECIDOS

    Sempre que um FIDJU DI TERA é chamado noutra partes do mundo por motivos outros distantes das "eternas crises" nacionais, rejubilamos, congratulamos por isso. Cada HOMENAGEM, cada premiação, reconhecimento sentido do talento, das capacidades de um FIDJU DI TERA, é a expressão de BALUR DI TCHON - FIDJU DI GUINÉ BALI PENA. Fora das reduzidas dimensões das politiquices que minam a [...]

    Read more

    FALTA DE IODO COMPLICA SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA

    A Direcção-Geral da Prevenção e promoção de Saúde através da Direcção do Serviço de Alimentação, Nutrição e Sobrevivência das Crianças, com o apoio do UNICEF procedeu terça-feira a cerimônia de entrega da Máquina de Iodização de sal bem como equipamentos informáticos com os respectivos assessórios. Após a entrega, o Representante do UNICEF na Guiné-Bissau, Abubacar [...]

    Read more

      O coordenador nacional dos Assuntos dos peregrinos admitiu, hoje, em Bissau, a culpa em nome do Alto comissariado para Peregrinação aos lugares Sagrados do Islão pela não participação dos muçulmanos guineenses no cumprimento do quinto pilar do islão. O pedido de desculpas aos que não conseguiram deslocar-se à Meca foi feito publicamente em conferência de imprensa. Dino [...]

    Read more

    PROJET REGIONAL DES PECHES EN AFRIQUE DE L’OUEST

    República da Guiné-Bissau SECRETARIA DE ESTADO DAS PESCAS E ECONOMIA MARÍTIMA PROJET REGIONAL DES PECHES EN AFRIQUE DE L’OUEST P119380 et P122182 IDA Grant Number H6530 – GW et GEF Grant Number 99597   SOLICITATION DE MANIFESTATION D’INTERET POUR LA SELECTION D’UN CONSULTANT (FIRME) POUR L’EVALUATION ET LA PREPARATION DU RAPPORT DE CLOTURE DU PRAO GUINEE BISSAU  Le [...]

    Read more

    FALAR RECONCILIAÇÃO FAZER EXCLUSÃO

    Dá muito jeito falar de reconciliação na Guiné-Bissau, porque no mercado politico nacional é produto que se procura desesperadamente, a ponto de, na maioria dos casos, comprarmos gato por lebre sem nos importarmos com o bichano que compramos. Precisamos dela como de água no deserto. Essa dramática necessidade, paradoxalmente tem sido aproveitada mais para se ocupar centros de decisão e [...]

    Read more

    PAIGC DIVIDIDO, O PAÍS À DERIVA!

    Após as últimas eleições tidas como justas e transparentes, ainda não percebi quando foi findado o governo de transição. Até agora não senti esse corte. Sinto que ainda vivemos na transição para a estabilidade e tranquilidade verdadeira e necessária! Verdadeira no sentido transparente: sem “jogos e joguinhos”, sem dia de “cair”. Estamos sempre na espectativa! Todo este [...]

    Read more

    Região de Bafatá: CONAEGUIB e RAJ realizam encontro nacional

    A terceira edição do campo de formação, estudo, trabalho, primeiro encontro de desenvolvimento comunitário, adiado para o mês Agosto iniciou no sábado em Bafatá. O encontro organizado pela Confederação Nacional dos Estudantes da Guiné-Bissau (CONAEGUIB) e a Rede das Associações Juvenis (RAJ) reúne organizações vindas de diferentes quadrantes do território nacional. O [...]

    Read more

    AS FINANÇAS PÚBLICAS: Problemas e Soluções (2)

    O pagamento do salário, na Guiné-Bissau, constitui um das questões que afectam consideravelmente o funcionamento normal das instituições do país e, consequentemente, contribui para a sua fragilização, originando distorções e injustiças gritantes na sua Administração Pública. A título ilustrativo, verifica-se que o salário auferido por um servente é pago 60 vezes pelo mais alto [...]

    Read more

    Veja mais artigos >>