• CARTA ABERTA AO ENGº CIPRIANO CASSAMÁ

    10 septembre 2015 | Reflexão | Admin
  • Fernando Ka

    Como guineense preocupado com os tristes acontecimentos no país, agitados por gente sem escrúpulos, cuja única mira é chegar ao poder a todo o custo, mesmo que seja para passar por cima de cadáveres. Sinto-me indignado com a forma de que se tem servido para atingir o seu objectivo e tudo a que pode deitar a mão serve. O senhor tem sido acusado de instigador do conflito de graves consequências para o país entre o presidente da república e o primeiro-ministro.

    O seu papel como a segunda figura de estado era de se esforçar no sentido da reconciliação das partes desavindas, em vez de lançar mais achas na fogueira que já estava ao rubro, o que mostra o nível da sua classe como titular de um importante órgão nacional. Porém, diz o provérbio: “quem não tem cão que cace com gato”. Então, o país tem de se sujeitar a esta tamanha mediocridade na condução do seu destino até quando? Também diz o povo: “quando o homem sonha, a obra nasce”. Mas, onde estarão os homens que sonham com uma Guiné melhor?

    O culpado de toda a bandalhice que grassa no país é o PAIGC. Foi ele que desorganizou por completo a sociedade, virando-a do avesso e fazendo desaparecer os verdadeiros valores de referência comportamental de então. O partido fez da Guiné uma república das selvas em que prevalece a lei dos poderosos a que os cidadãos, a parte fraca, têm de obedecer sem levantar qualquer objecção ao magister dixit. Os poderosos são os detentores de cargos políticos que andam a subornar as pessoas com o dinheiro público, acenando, por outro lado, com as ameaças de afastamento a quem se porta “mal”; entretanto, vão também aproveitando da situação para preparar o seu risonho futuro, depois de deixar o exercício de poder.

    Por isso, a impunidade de quem se serve do poder para fazer tudo o que quer é um apelo à violação dos direitos e os deveres consagrados na constituição da república. Ninguém é chamado para responder pelos crimes de peculato ou de sangue perante a justiça. E tudo continua silenciado em nome de pseudo-estabilidade eai daquele que se atreve a levantar o tapete que cobria o lixo. É preciso haver alguém com coragem para acabar com este tipo de estabilidade, de uma vez por todas.

    O senhor engenheiro Cipriano Cassamá não podia ser presidente de uma Assembleia da república num país civilizado onde as pessoas pautam a sua conduta de acordo com os cargos que exercem. Em nenhum país no mundo, se convoca plenário parlamentar apenas para achincalhar com as palavras obscenas, indignas de um órgão de poder, contra o mais alto magistrado da nação. Uma coisa é poder discordar da decisão presidencial e a outra é de descer ao nível tão baixo que revela a mediocridade dos deputados nacionais, cujo expoente máximo é o seu presidente.

    Meu caro conterrâneo, a vida dos homens é tão efémera quanto uma folha seca e suspensa numa árvore e mal aparece um pequeno sopro de vento, ela vem cá parar abaixo. Há regras sagradas, baseadas nos princípios que norteiam o comportamento das pessoas numa sociedade  em que o respeito  pela dignidade do indivíduo é a condição sine qua non para haver clima de paz duradoira, gerando a confiança mútua numa caminhada solidária em busca do bem-estar comum.

    Por isso, aqueles a quem o povo confiou o poder para zelar pelos legítimos interesses nacionais deviam sobretudo estar mais preocupados em criar clima de estabilidade que tranquilize o país. Aliás, o engenheiro Cipriano Cassamá é ignorante dos deveres de presidente de um parlamento. Daí o seu aproveitamento da crise instalada, de modo a poder extrair dela as vantagens para os seus escabrosos e maquiavélicos interesses. O presidente da assembleia quer ser presidente da republica nas próximas eleições e não olha a meios para atingir os fins, custe o que custar.

    Ele começou por se trajar como um fundamentalista islâmico depois de ser presidente do parlamento, mostrando claro sinal de perigo de instrumentalização de carácter religioso à semelhança do que fez  Cumba Ialá em relação aos balantas apenas para angariar votos tendenciosos. Mas longe de se conseguir o objectivo pretendido, este expediente só serviu para dividir o povo guineense. Por outro lado, procura intensamente fazer com que o relacionamento entre o presidente da república e o primeiro-ministro se torne impossível, agudizando ainda mais a crise. Também tem estado a fazer pelo país inteiro o roteiro, que é de exclusiva competência do senhor presidente da república, imiscuindo-se nos assuntos que não são da sua alçada.

    É lamentável que os dirigentes do país revelam total ausência de preparação política e de competência para o exercício de suas funções, além de não reconhecerem com humildade as suas insuficiências e procurarem melhorá-las, o que só lhes faz bem, em vez de se escudarem no suposto bloqueio da força interna e na conjuntura internacional, deixando o país à deriva.

    Fernando Ká

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