• MANCHAS DE PÓLVORA NA ROSEIRA E NO CAPIM

    17 novembre 2012 | Cultura | Admin
  • Luis Carlos Alves de Melo* 

    Disna, i ka di aos ku tera tindji di burmedju, ku sukuru bisti bom dia (não é de hoje que a terra se tinge de vermelho, e que a luz se transforma em escuridão).
    A citação com a qual este artigo principia ilustra um dos capítulos de uma obra pouco difundida na esfera cultural: trata-se do livro Entre a Roseira e a Pólvora, o Capim[1], da poetisa guineense Saliatu da Costa. “Mortundadi”, como se intitula o poema do qual o trecho foi retirado, integra a segunda parte do livro, o qual, por seu turno, é dividido em três: a Roseira, a Pólvora e o Capim. A autora utilizou-se de figuras de linguagem para dar corpo e alma à sua composição, já que cada uma das seções do livro traz em sua essência um significado muito além do que nossos olhos podem ver.

    A pólvora que mancha é uma expressão metafórica designada a representar os conflitos que são fatos constantes na vida do povo guineense. A roseira que está sendo manchada representa a Guiné-Bissau, flor que desabrocha mesmo em meio às tribulações, terra de homens e mulheres de coragem, que, desde cedo, têm seu destino marcado simplesmente pelo fato de serem africanos. O capim cuja essência acolhe os destroços e a seiva sangrenta da rosa despedaçada é a esperança de um novo amanhã, em que a terra deixará de ser tingida de vermelho e a luz não mais será escuridão.

    O livro se insere no contexto da literatura luso-africana, que nasceu a partir da colonização dos povos africanos por Portugal, ou pelas mãos dos simpatizantes da cultura africana, e direciona nossos olhares para diversos pontos temáticos que estão, de certa forma, impregnados em sua construção poético-literária. Entre a Roseira e a Pólvora, o Capim apresenta, em seus poemas, uma série de aspectos militantes, dos quais podemos destacar a denúncia histórica, o combate moral, eivados de critica moral e social. Um dos pontos fortes é o sentimento humanitário que direciona a poesia africana a ganhar ares mais militantes do que estéticos. Os poemas partem em defesa dos homens e mulheres mortos, das mulheres mutiladas, das crianças desabrigadas, e de uma série de pontos problemáticos, exaltando a força do povo africano e da mulher negra, que ressurge com sua fachada intacta e com a alma em destroços.

    Nota-se claramente nas produções literárias a ligação com questões de identidade, como a do prazer de ser negro, transmitindo em suas obras um sentimento positivo de pertencer à cultura negra, evidenciando esse orgulho e abrindo portas para o reconhecimento e união dos povos negros em prol de sua libertação e autonomia total.

    Essa é a esperança de um povo que grita silenciosamente em meio a uma multidão que nem sequer se cala para ouvir os suspiros dos seus pensamentos.
    * Luis Carlos Alves de Melo, Graduando em Letras – Faculdade da Alta Paulista – FAP, Membro GPARA – Grupo de Pesquisas em Argumentação e Retórica Aplicadas – UFS.

    [1] Uma co-edição com sociólogo Miguel de Barros (Portugal) inclui um CD de declamações com direcção musical do Zé Manel Fortes, com vozes de Cícero Spencer Gomes e Dina Adão, algo inédito na produção literária da Guiné-Bissau.

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