• “NOSSO PASSADO … NOSSO FUTURO … A AFIRMAÇÃO”

    11 février 2014 | Reflexão | Admin
  • (…) Arrependi-me de fazer esta enumeração de problemas porque o leitor da Guiné, depois de a ler, dirá logo ao primeiro amigo que tudo isso é desnecessário (se não disser qualquer nome feio) porque sempre se viveu sem se saber das condições de vida do preto e a Guiné progrediu sem isso e até porque desses inquéritos não resultará aumento de volume de negócios ou de riqueza material. (…) Os pontos de vista expendidos ligam-se inteiramente aos problemas relacionados com os dados dos censos populacionais. E quando todos os países com responsabilidades em África se preparam activamente para levar a efeito o recenseamento de 1960, importa que também actuemos no sentido de recolher dessa operação os ensinamentos precisos e de apurar o verdadeiro valor da população natural e não natural da Guiné.[1]

    Um passado ainda recente

    Sem querer aqui fazer alguma alusão histórica numa vertente quer antropológica quer sociológica, porque dessa ciência não temos bastante, e também porque não é isso que aqui se pretende, vamos apenas buscar alguns elementos que nos poderão servir de orientação apropriada para o objecto desta reflexão, que é sobretudo a Guiné-Bissau, a sua gente, a sua afirmação.

    Na história de qualquer país existem sempre momentos de mudança, de viragem para novos horizontes, movimentações sociais numa perspectiva de evolução positiva, portadora de uma consciência de destino comum e perseguindo uma comum esperança de uma renovada sociedade que consiga distinguir o bem do mal, colocando a competência, interna ou externa, focalizada em resultados positivos e sustentáveis, no nosso caso, libertar das crónicas medidas com fraca sustentabilidade prática, fazendo eco ao nosso Carlos Lopes.

    A nossa sociedade, enquanto entendimento comummente aceite pela comunidade que a assiste, nas condições em que se vê confrontada, deveria procurar distinguir os momentos em que os seus interesses são ou não tidos em conta. Legitimamente concordamos. Ainda por cima se for portadora de mais-valia institucional numa lógica de aproximação, sem retracção de ambas partes.

    As dificuldades que cada cidadão vai enfrentando deverão servir de consciencialização que a nossa participação, individual e colectiva, deve ser encarada de frente, em que os elementos que levarão a uma boa intervenção pública devam sempre corresponder a uma certeza de horizontes novos, frutuosos, e sobretudo, realizáveis e em benefício, essencialmente, da comunidade que a assiste.

    Do nosso passado recente sempre com turbulências políticas, militares, económicas, sociais e culturais, sem esquecer as étnicas e religiosas, lições valiosas devemos tirar para não cairmos mais nessas armadilhas como sabiamente diz o Presidente da República, pois que, neste mundo globalizado, donde também fazemos parte, hoje os obstáculos são outros, os erros permitidos ou aceitáveis são outros, pois que tudo é na proporção dos desafios procurados pela globalidade das sociedades comummente organizadas.

    Não caiamos no erro de pensar em pretender ser autónomos muito menos de sermos isolados porquanto há 40 anos atrás gritávamos para uma abrangente inclusão, a liberdade de sermos nação, de pertencermos à sociedade das nações. A liberdade de pensar e de agir no pleno respeito da integridade nossa e dos outros. Como dizia o nosso saudoso pai desta nossa nacionalidade conquistada com a juventude de outrora que tudo deixou, tudo desafiou, acreditando que os seus teriam melhor sorte, «andar com os nossos próprios pés e pensar pelas nossas próprias cabeças …», uma liberdade responsável e no pleno respeito dos compromissos assumidos.

    Não temos tempo temporal de pôr tudo a perder devido a orientações políticas restritivas, a acordos circunstancialmente assinados para benefício de grupos, a proveitos tirados à razão do clientelismo, do nepotismo e da inércia, a não justiça pela ganância traduzida em arrogância, a brutalidade para melhor proteger a ilegitimidade e a ilegalidade.

    Dos cíclicos impasses, dos preparos para a luta aos nossos dias, uma certeza podemos ter, é que fomos sempre capazes de proteger a nossa identidade colectiva e foi sempre factor de regozijo nacional, juntos sempre vencemos.

    Um novo caminho… uma nova independência

    A coisa pública não pode estar ao serviço da vida privada ou muito menos ser privatizada e nisto, o interesse comum não pode ser o conformismo. A necessidade de uma reacção colectiva nunca foi tanto necessária como neste momento de controvérsia social com repercussões imprevisíveis. Há toda uma necessidade de saber agir. Agir responsavelmente e responsabilizavelmente. Um facto.

    Os desafios que se impõem levam-nos num entendimento que todos devemos contribuir, sem reserva, para uma realidade que seja portadora de acções viradas para o bem-estar colectivo, onde cada um na sua colectividade se sinta parte integrante. Este fenómeno deverá constituir em nós uma dose de reflexão, isenta de classificações políticas ou partidária, mas com reflexos na dinâmica de um pensar positivo e sem rodeios, para uma nova Guiné, uma Guiné de paz. Sobretudo.

    Quando a nossa Guiné era Guiné Portuguesa quem éramos nós? Hoje Guiné-Bissau, quem somos? Amanhã a nossa querida Guiné, quem seremos nós? São questões que nos devem conduzir a uma reflexão atenta e desafiante, procurando valorizar as conquistas cujo início foi exemplar, mas que todo o percurso até à presente data em que nos confrontamos nos últimos anos, tem-nos colocado num ambiente de gradual desintegração material e funcional do estado, como já havia referido no capítulo anterior. Acreditemos uns nos outros, este deve constituir um desafio nacional.

    Re-identificar ou re-definir valores e princípios devem ser um horizonte colectivo a ser alcançado e, os interesses do povo devem ser sempre prioritariamente salvaguardados. Regra do jogo. Que a verdade e a certeza de sermos de facto guineenses seja o elemento determinante para uma reconciliação verdadeira e sem recalcamentos, um virar de página porquanto o que foi feito já está feito, é necessário olhar para a frente com vontade de não alimentar o sempre crescente clima de desconfiança generalizada. E com isto não se quer aqui pretender ilibar quem quer que seja.

    Um novo caminho para uma nova independência deve ser o nosso lema porquanto haver necessidade de dignificarmos a nossa nação e de credibilizarmos a nossa nacionalidade. Um projecto social inclusivo e longe das contradições políticas e militares. Os políticos e os militares devem participar como cidadãos que são de forma a se conseguir elevar o debate público, sem ameaças e represálias potenciais, mas com a serenidade, seriedade, perseverança e determinação, na salvaguarda de interesses estritamente nacionais. Fazer das desigualdades virtudes correctivas de políticas de protecção do estado de direito democrático que é a República da Guiné-Bissau.

    Reflexão Nacional … Consciência Comum

    Na nossa tradição costumeira, quando existe um problema grave, o conselho de anciões reúne-se para melhor reflectir sobre o assunto antes da confrontação com a comunidade. Um acto que particulariza a sabedoria de melhor servir, ouvindo, analisando, reflectindo, mas sempre na busca de ser o mais justo possível nas suas deliberações. Garandi di kassa. Estes actos quando realizados tornam-se públicos, daí a responsabilidade. Nisto, então, a vida pública deve representar um espaço privilegiado para a expressão da individualidade do homem que, pelas suas acções, pode eternizar-se na lembrança da memória da comunidade.

    Hoje ocorre uma inversão de valores. A igualdade tem sido confundida com uniformidade, comportamentos iguais. A sociedade deixou-se levar nos últimos anos por uma utopia jamais realizável. O desenvolvimento estritamente virado em políticas e negócios circunstanciais, sem privilegiar a formação de profissionais válidos para sustentar e desenvolver a industrialização então necessária. Uma certeza.

    Pelos interesses individuais ou de grupos, a sociedade política desacreditada, a sociedade civil e outros organismos impotentes, urge a necessidade de uma abrangente abordagem sobre a vida pública do nosso estado. Promovendo uma dinâmica de abertura de um debate nacional necessário, indispensável. Definidora de novas orientações sociais numa lógica de legitimação de um novo compromisso nacional.

    Esta consciência comum portadora de uma dimensão nacional do problema político, militar e social, deverá, dentro da humildade requerida, espelhar os valores e princípios partes na edificação de pilares sociais e políticos, portadoras de limites intransponíveis por qualquer que seja a entidade privada muito menos pública.

     

    Ricardo Rosa

    [1] – “A população civilizada da Guiné Portuguesa em 1950” por António Correia, editado no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa Nº 56 Volume XIV de Outubro de 1959

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