• “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

    Exatamente aqui está o perigo de quem detém o poder. A linha para manter o caráter livre deste perigo é muito tênue. E poucos são os que conseguem entrar na esfera do poder e sair intacto.

    Considero que só os verdadeiros líderes no sentido lato da questão conseguem essa proeza.

    Os que nasceram para servir Estado e Pessoas.

    Verdadeiros humanistas e patrióticos, que têm a pretensão de deixar um legado positivo. Que se preocupam com Honra e Glória!

    Mas parece-me que falta essa ambição a muitos líderes africanos!

    Senão vejamos:

    No índice de Mo Ibrahim, criada com objectivo de ajudar os cidadãos, sociedade civil, governo, parlamento a medir o progresso no seu país.

    Na sequência disso é lançado um prêmio para a liderança de excelência em áfrica no valor de 5 milhões de dólares, acrescido de uma pensão vitalícia como incentivo e motivação aos chefes de Estado que tenham promovido critérios em avaliação:

    – Segurança e Estado de Direito;

    – Participação e Direitos Humanos;

    -Oportunidade Econômica Sustentável;

    -Desenvolvimento Humano.

    A questão é que desde 2007 data que marca início deste índice apenas 3 Chefes de Estado o venceram:

    – Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano em 2007.

    – Presidente de Botswana, Festus Mogae em 2008.

    – Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires em 2011.

    Sendo que há 2 anos consecutivos não houve nenhum vencedor.

    Porque será? Falta de ambição e vontade dos líderes africanos em contribuir e promover a boa governação?

    Outro dado que importa aqui mencionar, é de que num universo de 52 países africanos avaliados Cabo Verde surge em 2° lugar no ranking de boa governação e o melhor entre os países Lusófonos, São Tome e Príncipe (12°, Moçambique (22°), Angola (44°).

    Sabem em que lugar está a nossa orgulhosa Pátria Guiné- Bissau?

    Em 48° posição, nos 5 piores países avaliados!

    Há pessoas que não gostam que se faça comparação com Cabo Verde, mas os exemplos servem para isso mesmo, retirar ilações. Até porque as comparações são inevitáveis, não vivemos num mundo à parte. Somos parte integrante de uma sociedade cada vez mais globalizada.

    Vários indicadores internacionais têm vindo a colocar Cabo Verde com bons índices de desenvolvimento. Com estes resultados encorajadores, se torna mais surpreendente para um país com fracos recursos naturais, os tais que muitos outros países de áfrica possuem.

    Será que estes bons indicadores são porque os seus governantes são mais capazes? Ou terão uma varinha mágica?

    Não! Talvez seja da boa vontade em servir bem?

    Terão mais preocupação com o seu povo? Terão mais orgulho na sua pátria?

    Não deve ser muito difícil perceber o porquê!

    Os indicadores econômicos não enganam!

    Factos são factos!

    Tudo o resto é retórica!

    Digam-me se estes dados não fazem pensar? Então o que fará pensar?

    Pergunto aos nossos governantes na Guiné, todos em geral sem excluir ninguém em particular, os que se disponibilizaram para nos representar, afim de darem um rumo, um bom rumo ao nosso país se a prioridade neste momento é discutir, negociar, dar atenção aos salários, prêmios, subsídios, etc?

    Acham mesmo que o momento é oportuno e a discussão prioritária, para um país sem recursos e com receitas insuficientes face a sua despesa para sustentar o seu próprio orçamento?

    Um país dependente economicamente do estrangeiro?

    Onde está a legitimidade em pedirmos ajudas ou financiamentos se a mão que está a pedir está cheia de “anéis”?

    Pergunto de novo, a discussão, reuniões, não deveria ser no sentido contrário? Corte de despesas de estado, face a situação de dificuldade que o país enfrenta? Onde podemos cortar? Onde se pode racionalizar?

    Como exemplos posso indicar alguns caminhos:

    Regalias, despesas de representação com comitivas alargadas, viagens em classe de executivos, carros de luxo etc…

    Esse controlo nas despesas se impõe com rigor financeiro, afim de não prejudicar os contribuintes e até condicionar gerações futuras.

    Quando se exige, ou se pede paciência ao povo, compreensão no tempo que implica resoluções dos problemas, muitos deles básicos, é crucial que o bom exemplo venha dos governantes em todas as estruturas do estado.

    Não pretendo desvalorizar os interesses de ninguém e muito menos de grupos. Entendo porém que estamos a inverter claramente as prioridades, face aos interesses do país e das pessoas em geral!

    Não “brinquem” com quem vos elegeu.

    Não “brinquem” com o órgão soberano. O povo! Que tem a legitimidade de dar e retirar confiança sempre que se verificar não estar a ser dignamente representado.  O povo elogia e aplaude sempre que se justifica.

    Mas também se “revolta”. O país foi adiado muitas vezes, devido aos caprichos de alguns, e interesses de outros! Puro acto de egoísmo! Defendo claramente que as pessoas devem ser bem remuneradas de acordo com a função, empenho e mérito!

    Mas também sou de opinião que essa remuneração deve ser exemplar e de acordo com os recursos existentes no recurso do país, assim como ter em conta o salário mínimo praticado!

    É uma afronta a qualquer cidadão que receba mais ou menos 50 euros por mês, ter um governante a receber 120 vezes mais!

    Não são 12 vezes mais!

    Repito, 120 vezes mais!

    Uma sociedade, onde o fosso entre os exageradamente ricos, onde a ostentação da riqueza é gritante, essa sociedade está assente num barril de “pólvora”.

    Este meu entendimento é válido para qualquer sociedade do mundo, considero constituir um perigo, porque o povo está mais esclarecido atento e vigilante!

    Não fazem parte do povo só os esclarecidos ou iluminados mas também no meio temos a “turba”, uma “onda” que leva tudo à frente sem olhar a quem.

    “O pior que pode acontecer a um líder é ser abandonado por seus liderados “. Sejamos merecedores das várias oportunidades que nos são disponibilizados a fim de erguermos a nossa pátria!

    Com tempo, é certo.

    Mas com dignidade e orgulho para todos!  O equilíbrio e a justa distribuição de sacrifícios e bens, deve ser a preocupação para a boa governação! Faz-me alguma confusão os pseudo moralistas que tentam impor sacrifícios em nome do país, situação que não praticam e muito menos acreditam! Governar exige qualidades humanas, pessoas de boa vontade, com espírito de sacrifício, um patriota, porque no seu íntimo acredita que o bem-estar geral é uma questão de orgulho pessoal! Nenhuma diferença nos pode separar, nenhum interesse nos pode desviar do essencial e fundamental: O Povo e o País!

    Penso e continuarei a pensar pela minha cabeça. Pensem também pelas vossas cabeças, como Cabral dizia! Mas no fim, Guiné- Bissau 1°.

    Amélia Costa Injai

    (ACI)

  • 8 décembre 2009 | Djumbai

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