• QUE SAÍDAS PARA A POLÍTICA INTERNA E EXTERNA DA GUINÉ-BISSAU?

    13 juin 2015 | Reflexão | Admin
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    A recente visita do soberano marroquino ao país, Rei Mohamed VI, induziu-me a esboçar uma pequena reflexão sobre a diplomacia, área em que para além da minha formação, possuo como background mais de 30 anos de experiência efectiva, passados no desempenho de várias funções tanto ao nível do país, como no estrangeiro. No momento em que estão ser dados os primeiros passos no âmbito da dinâmica TERA RANKA esponho este meu modesto contributo esperando, contudo, que sirva a quem de direito de subsídio para aplicar onde julgar conveniente. 

    A Guiné-Bissau precisa de um projecto coerente para si própria. Um projecto que passe pela construção de uma visão partilhada entre todos sobre a política externa do país.

    A questão coloca-se então: o que quererão os guineenses para o seu país no domínio das relações internacionais? Saber, para lá da retórica de circunstância ou do tempo de campanha, debater, organizar, acordar, fixar uma política comum, um conjunto de pontos transversais, equidistantes aos partidos e às ideologias políticas, suficientemente sérios e sustentáveis, e que representem a mesma visão sobre a política externa da Guiné-Bissau.

    Ora, esse papel só pode ser assumido e desenvolvido na Guiné-Bissau pelo Chefe de Estado.

    A sua posição no ápice do Estado e o horizonte temporal da sua permanência no cargo, para além das competências que lhe são atribuídas pela Constituição, conferem-lhe um protagonismo que deve, ao mesmo tempo, ser utilizado na defesa e promoção dos interesses guineenses e zelar com cautela, em coordenação com os outros órgãos de soberania para que a Guiné-Bissau fale a uma só voz no plano internacional.

    Assim, pensamos que o prestígio e a autoridade moral decorrentes do cargo de Presidente da República irão contribuir nos esforços necessários que o seu futuro gabinete não desenvolver para a promoção da imagem da Guiné-Bissau no exterior e, para o reforço e a consolidação das relações políticas e económicas com os nossos parceiros.

    Representar a Guiné-Bissau no mundo, como Presidente da República, significa levar a bandeira nacional aos cinco continentes, reforçar o diálogo político com os países aos quais estamos mais estritamente ligados, proporcionar novos horizontes, oportunidades e contactos aos nossos empresários, divulgar o melhor da nossa cultura, contribuir em suma para consolidar e aumentar o prestígio internacional que a Guiné-Bissau indiscutivelmente começou a construir com a boa realização das últimas eleições legislativas e presidenciais.

    Implica, igualmente, a necessidade de viajar e de receber delegações estrangeiras. Como é evidente, nem todas as visitas têm a mesma importância política. Algumas terão particular significado desse ponto de vista. Mas, uma visita de estado é uma operação vasta e complexa cujos objectivos vão além dos contactos estabelecidos a nível político. Essas visitas são grandes Embaixadas lideradas pelo Presidente da República e composta por membros do Governo, Deputados, Empresários, Artistas, Intelectuais, cujos objectivos serão impulsionar as relações bilaterais e divulgar as realidades e a imagem da Guiné-Bissau.

    A sua operação deve merecer a preocupação do Presidente da República, evitando que elas sejam meros acontecimentos protocolares, de pompa e circunstância, mas antes, que se revestiam de utilidade concreta, em particular no plano económico, permitindo aos empresários que integrarem a comitiva de tirar partido dos contactos e dos eventos que lhes forem proporcionados em cada uma dessas ocasiões.

    A visibilidade conferida por essas visitas deverá também ser utilizada para promover as potencialidades económicas, turísticas e artísticas da Guiné-Bissau.

    Não se pode, naturalmente, esquecer o acolhimento entusiástico que sempre é dispensado pelas comunidades guineenses ao Presidente da República quando está de visita no país que escolheram como segunda Pátria. Por vezes, é no estrangeiro, no contacto com os nossos emigrantes, que sentimos de forma mais vibrante o pulsar do espírito patriótico. Mas esses contactos não servem apenas para avivar o seu amor à Guiné-Bissau pois elas permitem também transmitir uma mensagem indispensável, a da importância da sua intervenção cívica nos países de acolhimento.

    Nesta perspectiva, os actos de sua Excelência devem ser cuidadosamente seleccionados e minuciosamente preparados devendo ele, nos próximos tempos, empenhar-se a fundo para tornar as relações da Guiné-Bissau com os nossos parceiros e vizinhos mais imediatas, mais sólidas e dinâmicas. O melhor que pode acontecer à Guiné-Bissau é que os seus vizinhos estejam bem.

    NO PLANO SUB-REGIONAL

    No plano sub-regional espero que Sua Excelência o Senhor Presidente da República nunca hesitará em considerar que o processo que nos conduziu à integração à UEMOA é fundamental para o nosso país. Esta instituição deve estar no centro da nossa Política Externa pois ela exerce uma influência decisiva no plano interno, como se tornou evidente para todos, pelo menos durante o conflito militar de 1998, e durante a transição que acabamos de viver.

    O Presidente da República tem um papel relevante a desempenhar neste âmbito, estimulando o interesse, o conhecimento e o debate das questões de integração e aprofundamento das relações bilaterais com os países membros. Neste sentido, e por considerarem haver na Guiné-Bissau um nível de esclarecimento insuficiente em relação a estas questões, o Presidente da República deverá procurar alargar o seu espaço de discussão através de uma série de iniciativas dirigidas a vários políticos.

    Estes são alguns aspectos relevantes das actividades internacionais do Presidente da República, aspectos que não foram aqui abordados à exaustão.

    Estou convencido de que Sua Excelência o Senhor Presidente da República as desenvolverá com amor, gosto, e profundo sentido de dever, a bem da Guiné-Bissau e do Povo Guineenses.

    Bubacar Sidi Baldé

    Diplomata

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